Delegacia de Defraudações cumpre 12 mandados de busca e apreensão e apura reativação do Banco de Crédito Móvel na Jucerja para reivindicação de crédito bilionário
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta quinta-feira (25), a Operação Lázaro, que investiga uma suposta fraude relacionada à reativação do BCM (Banco de Crédito Móvel S.A), instituição financeira que teve suas atividades encerradas há mais de seis décadas. A apuração busca esclarecer a possível utilização da reativação do banco para reivindicar direitos sobre um crédito estimado em mais de R$ 1 bilhão.
A ação é conduzida pela Delegacia de Defraudações e busca cumprir 12 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. Os agentes realizam diligências em imóveis localizados nos bairros do Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca, Glória, Tijuca, Copacabana, Gávea e Botafogo, na capital fluminense.
Segundo a Polícia Civil, o objetivo das buscas é recolher aparelhos telefônicos, documentos e outros materiais que possam auxiliar na investigação sobre a reativação do banco junto à Jucerja (Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro), em 2024.
Entre os alvos dos mandados estão acionistas ligados ao Banco de Crédito Móvel, além do vice-presidente da Jucerja (Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro), Affonso D’Anzicourt Silva, do secretário-geral do órgão, Gabriel Oliveira de Souza Voi, e do ex-presidente da autarquia, Sergio Tavares Romay.
Banco encerrou atividades em 1964
De acordo com as informações reunidas pela investigação, o Banco de Crédito Móvel teve suas atividades encerradas em 1964, quando os acionistas aprovaram sua liquidação. Conforme os registros analisados, os acionistas minoritários teriam recebido os valores correspondentes às suas participações, enquanto os acionistas majoritários, Pasquale Mauro e Holophernes Castro, teriam dividido entre si os bens remanescentes do patrimônio da instituição.
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que, após a conclusão do processo de liquidação, as ações da companhia deixaram de existir, o que levanta questionamentos sobre a legitimidade da reativação do banco ocorrida em 2024.
Reativação é alvo da investigação
Segundo os investigadores, pessoas apresentadas como acionistas teriam conseguido restabelecer o registro do Banco de Crédito Móvel na Jucerja, apesar da existência de decisão da 6ª Vara Empresarial contrária à medida.
A investigação aponta que a reativação da instituição teria sido utilizada para reivindicar direitos sobre um crédito bilionário relacionado à desapropriação de uma área de aproximadamente 153 mil metros quadrados localizada no Recreio dos Bandeirantes.
Ainda conforme a Polícia Civil, o Colégio de Vogais da Jucerja aprovou a reativação do banco em 2024. Os investigadores apuram se a decisão contrariou entendimentos anteriormente manifestados pela 6ª Vara Empresarial e pela Procuradoria Regional da própria junta comercial.
Outras suspeitas sob apuração
Além da questão envolvendo a reativação do banco, a Polícia Civil também apura informações sobre possíveis invasões de terrenos na Barra da Tijuca, supostas fraudes imobiliárias e a construção de condomínios irregulares que teriam ligação com pessoas investigadas no caso.
O material apreendido durante a Operação Lázaro será submetido à análise pericial e poderá contribuir para o avanço das investigações sobre a regularidade da reativação do Banco de Crédito Móvel e a eventual existência de crimes relacionados ao caso.

